Gestação

Especialista orienta que preparo do corpo e da mente pode e deve ser realizado antes mesmo da concepção

Algumas mudanças de hábitos e cuidados com a saúde, como as consultas antes de engravidar, ajudam para um processo mais saudável

Foto: Arquivo Pessoal - DP - A gestação é um período cheio de descobertas, novidades e algumas inseguranças, mas com preparação e planejamento, pode ser muito mais tranquila

Por Joana Bendjouya

Tudo que é realizado com organização tem mais chances de fluir com tranquilidade e quando o assunto é planejamento familiar, isso não é diferente. Procurar os profissionais certos, buscar informações, orientações e estar com a saúde em dia pode fazer com que o sonho da gravidez se realize de maneira mais suave e segura.

O planejamento para o melhor momento de engravidar é uma decisão que depende de muitos fatores e é importante lembrar que são diferentes para cada família. Essas decisões irão impactar diretamente na vida da mulher, seja no âmbito profissional, na idade em que pretende se tornar mãe, nas expectativas formadas em relação à chegada do filho e em todas as mudanças que isso acarreta. Estar bem amparada e com profissionais de confiança, além de uma rede de apoio, é fundamental.

É o que enfatiza a ginecologista e obstetra com atuação em medicina fetal Guadalupe Bertoli Nascimento. “A partir do momento que a mulher decide gestar, ou quando ela começa pensar no seu futuro obstétrico, é de suma importância consultar um profissional que a ajude nesse planejamento. É neste momento que o médico vai conhecer a família, os aspectos que envolvem a escolha deles, como por exemplo o tempo em que pretendem gestar, a idade da futura gestante, as chances dessa gravidez ocorrer no período esperado, o uso ou não de vitaminas, o controle de determinadas patologias, programar o uso adequado de medicações seguras para gestação.”

Desta forma, algumas medidas são muito importantes para se preparar para este momento, conforme orienta a ginecologista, explicando que é necessário ter clareza que esse cuidado deve começar alguns meses antes da concepção. O primeiro passo do planejamento envolve uma consulta com o obstetra de confiança. Nesse atendimento, ele fará uma avaliação geral da saúde atual da mulher, mas com um olhar para quais ações devem ser implementadas para inicialmente melhorar a saúde do casal e preparar ambos os parceiros para a futura gestação. “Neste momento, será feito um olhar para saúde de forma geral. Peso, pressão arterial, frequência cardíaca e respiratória, exame ginecológico, com o objetivo de verificar se estão todos em dia. Bem como uma análise completa do histórico médico da paciente e dos seus familiares próximos”, explica.

Será também na consulta pré-concepcional que o ginecologista irá orientar os próximos passos do planejamento para a gravidez, reforçando a importância de manter hábitos saudáveis, que incluem uma boa e variada alimentação, a prática de exercícios físicos, além de suplementação de vitaminas quando necessário. “O ácido fólico, por exemplo, é uma vitamina que está indicada usar em todas as gestantes até a 12ª semana e o ideal é iniciar o seu uso com pelo menos três meses de antecedência à gestação. O ginecologista que estiver acompanhado irá indicar o melhor ácido fólico e a forma de se usar”, explica Guadalupe.

Atividade física regular
Abandonar o sedentarismo também é uma etapa importante da preparação para a gravidez. Para as mulheres que não praticam nenhuma atividade física, o ideal é que encontrem uma que mais lhes dêem prazer em realizar, desta forma o risco de desistir da atividade é reduzido. A prática trará muitos benefícios à saude da futura gestante e do bebê. "Se ainda não pratica atividade física, o ideal é que inicie alguns meses antes de engravidar, dessa forma trará inúmeros benefícios para a saúde da futura mãe e para a gestação, além da recuperação no pós-parto”, diz Guadalupe.

Os exercícios, além de ajudar no controle do peso, no condicionamento cardiovascular e no fortalecimento da musculatura, reduzem o risco de complicações durante a gestação. "Atividade física com acompanhamento é essencial. É importante também um acompanhamento nutricional, psicológico, endocrinológico e clínico. Enfim, de modo individualizado, deve-se ter todos os profissionais necessários para oferecer segurança neste momento.”

Alimentação saudável
Neste processo preparatório para a gestação, é muito importante adotar uma alimentação saudável. Isso porque a obesidade e o sobrepeso podem aumentar o risco de complicações como diabetes gestacional, hipertensão e a pré-eclâmpsia. É também por meio da alimentação que vários nutrientes são essenciais para a gestação e também ao desenvolvimento de um bebê saudável são fornecidos.

Avaliação física e laboratorial
Atuar de maneira preventiva nas doenças que podem afetar a gestação e o bebê é uma das partes mais importantes da preparação para engravidar. Desta forma, a ginecologista explica que são solicitados exames físicos e também ginecológicos.

Doenças crônicas
São consideradas doenças crônicas e que podem trazer algum tipo de perigo para a gestação a hipertensão arterial, diabetes, obesidade, epilepsia, distúrbios da tireoide. Podem ter impacto na saúde da futura mãe e também do bebê se não estiverem controladas e com os tratamentos e medicações corretas. Desta forma, o acompanhamento médico será a forma do médico avaliar quais medicações administrar e, em alguns casos, se necessário, realizar ajustes na dose ou substituição da medicação por outra que possa ser utilizada durante a gestação.

“Nas paciente com alguma patologia crônica, prévia à gestação, é importantíssimo que haja uma equipe multiprofissional para o adequado acompanhamento e tratamento da saúde dessa mulher, mas principalmente com controle da patologia, uso de medicações seguras antes mesmo da gestação, para que então, tudo ocorra com menores riscos tanto para a mãe quanto para o feto”, enfatiza a obstetra.

Vacinas
A ginecologista ressalta que as gestantes possuem um calendário de imunização especial mas, da mesma forma que precisam tomar algumas doses específicas, algumas vacinas não devem ser aplicadas nesse período.

Sendo assim, outro ponto importante na preparação para o período gestacional é a atualização da carteira de vacinação.
“As vacinas devem estar em dia, todas as indicadas que já fazem parte do calendário vacinal habitual. Então, estando em dia, a mulher estará preparada para gestar com mais segurança e estar com a sua saúde e do bebê protegidas”, comenta Guadalupe.

As vacinas para as gestantes agem a fim de auxiliar o sistema imunológico também do bebê. Os anticorpos são transferidos por meio da placenta durante a gestação e, após o nascimento, pelo leite materno.

Imunização
A partir da 20ª semana de gestação, são indicadas as vacinas tríplice bacteriana (dTpa), dupla bacteriana do tipo adulto (dT) e influenza (gripe), que pode ser tomada em qualquer momento da gestação após o primeiro trimestre. Já a partir do segundo trimestre, gestantes que não foram vacinadas ou não tomaram as três doses precisam se imunizar contra a Hepatite B.

A vacinação de gestantes é considerada prioritária pela Organização Mundial da Saúde (OMS), pois beneficia a mãe e o bebê, particularmente os menores de seis meses

Situações especiais
Em casos em que a gestante apresenta doenças crônicas, como cardíaca, pulmonar e diabetes, ou em ocorrência de situações de risco, algumas vacinas adicionais podem ser recomendadas. Como no caso da hepatite A, hepatite B, pneumocócicas, meningocócica conjugada ACWY, meningocócica B e febre amarela. “O médico que acompanha a gestante será o responsável por avaliar e prescrever a imunização, quando necessário”, ressalta Guadalupe.

Contraindicadas
Durante a gestação, algumas vacinas são contraindicadas, como a tríplice viral, que compreende sarampo, caxumba e rubéola, além da HPV, varicela (catapora) e dengue.

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